sexta-feira, abril 18, 2008

Queimados: Uma Cidade sem Identidade Cultural.















"(...)Nosso nome tem história
De escravos, leprosos, imperador
Não importa sua origem
hoje tem o seu valor!(...)" Trecho do Hino do município de Queimados

O compositor do hino, comete um equívoco na minha opinião: É possivel existir cidadãos onde não existe uma referência de cidade? Sinceramente não sei, mas acredito sinceramente que não.

Em 2006, quando comecei a participar da construção do fórum de cultura popular. De inicio, como sou desconfiado com as coisas do governo (afinal, tenho motivos para isso...), fui inicialmente conhecer como é. Percebi que se tratava de uma construção coletiva e a pessoa que encaminhava isso pelo departamento de cultura, era realmente competente, engajada e preocupada com a causa, mesmo não sendo moradora de Queimados, a psicóloga Carla Damas. Além disso, ela tinha uma das atribuições mais raras em nossa prefeitura: Ser concursada,(Pasmem! Queimados já teve concurso para servidores!) e isso já era um traço diferencial.
O grupo que se juntou também tinha características peculiares que me faziam acreditar que, o que se buscava era realmente algo além de "objetivos eleitoreiros". A proposta por si só, faria com que os oportunistas fossem desmascarados. Sugerido que começassem grupos de trabalho que estudassem desde documentos oficiais, visitas a conselhos estabelecidos, cursos de gestores etc. Seria realmente uma contrução e não algo pontual. Assim, sendo, resolvi na ocasião entrar de cabeça na idéia. (vide algumas postagens de 2006)

Foram realizadas três etapas de construção deste fórum que culminaria com uma conferencia que elegeria conselheiros para o conselho municipal de Cultura. A própria legislação do conselho de Cultura fora modificada com a pressão desse grupo e reflexão feita na visitas a conselhos que já existem. A lei aconteceu, a conferência ainda não. O vinculo criado a partir desse grupo e as vitórias alcançadas graças à organização, no entanto, me faz acreditar que a luta foi adiada, não perdida.

Foi exatamente numa destas etapas do fórum que descobri na prática algo que estava tão obvio que eu não me dava conta: Nós realmente não temos uma identidade. Nossa história tem várias versões, a origem do nome da cidade, sua fundação etc. Até mesmo nossa história recente é perdida em arquivos de particulares e não é divulgada.

Somos na maioria queimadenses por acidente, não porque queiramos. Ao contrário, esperamos a primeira oportunidade de sair para outro lugar. Não temos vínculo com nossa cidade e nem sabemos nossa origem: somos uma cidade indigente.

Me impressionei com os relatos de pessoas sobre fatos de nossa história, cultura, na existencia dos engenhos, das fazendas. Me embriaguei no meio dos "causos" contados e de personalidades e até mesmo na participação de uma parte de minha familia ( vejam só!) em acontecimentos marcantes, como por exemplo, a presença do meu avô na visita de Luis Carlos Prestes e sua mulher Olga Benário em Queimados. Pois é, eles estiveram aqui.

Sai daquele fórum com a impressão que ao procurar a cultura e a identidade de minha cidade tinha me descoberto.

Tive a certeza que é possível, e que essa cidade pode sim, se desenvolver construir algo melhor com vontade política e competencia. Mais que isso, isso tem que vir do próprio povo, é preciso "empoderá-lo", dar poder a ele antes de tudo. descentralizar.

A partir daí, os caminhos vão se tecendo como uma rede de pescador...

Espero ainda ver a construção de um acervo histórico no município e que todos tenham orgulho de morar aqui... Mas o caminho é para ser construido, e se: "Nossa história é de lutas" como diz o refrão do hino, precisamos conhecê-la...

2 comentários:

  1. O compositor do hino, comete um equívoco na minha opinião: É possivel existir cidadãos onde não existe uma referência de cidade? Sinceramente não sei, mas acredito sinceramente que não.

    Depende. Erro do ponto de vista de quem? Do seu ou dos "cara-pálidas"???

    Sim, meu amigo... Nossa "não-identidade" é um erro crônico, porém cômodo aos donos da cidade.

    Dúvidas? Olhe ao redor. Veja nossa inércia cultural não obstante sermos herdeiros dos povos culturalmente mais ricos do Brasil: os nordestinos.

    Onde nossa identidade? Em canto algum: hoje se vêem bandeiras de Israel na cidade. Eu já vi.

    E com elas, creia-me, a cultura dos "sem-identidade", dos colonizados. Daqueles que, sem raiz, permitem mesmo que lhes tomem o chão.

    Como vê, o acaso não existe. Mesmo no caos, que é o acaso elevado à infinitésima potência.

    Reflitamos. Talvez, então, nos encontremos...

    Grande abraço, meu amigo...

    P.S.: Queria informar que lancei um link no meu singelo blog para o seu. Está lá em http://lasienda.blogspot.com

    P.S.2.: Pode aparecer por lá quando quiser e criticar tudo o que encontrar. Vindo de você até um "vai pra puta-que-o-pariu" é gratificante! kkkkkk

    Valeu, Jorginho... Fica com Deus... Fui!

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  2. È como se o cabeçalho do Blog, na frase de Leonardo Boff:
    "O ponto de vista é a vista de um ponto"

    O meu ponto(ou o seu) de vista é bem diferente daqueles que se apossaram dessa cidade...

    Abraços, obrigado pela visita.

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